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Carta aberta do Presidente

Samuel Schmah, presidente do Movimento Sul Livre, diante da bandeira do Sul Livre

Por Samuel Schmah — Presidente do Movimento Sul Livre

Estou cansado de esperar.

Cansado de esperar que outros decidam por mim. Cansado de terceirizar as soluções dos problemas que afetam a minha vida, a minha família e o meu povo. Cansado de depositar minhas esperanças em eleições, acreditar em promessas e esperar que aqueles que elegemos finalmente cumpram suas palavras.

Durante muito tempo, assim como milhões de brasileiros, acreditei que bastava escolher bons representantes, exercer meu direito ao voto e aguardar que as mudanças acontecessem.

Mas quantas vezes precisamos votar para perceber que alguma coisa está errada?

Quantas promessas ainda precisamos ouvir? Quantas eleições precisam passar para que as necessidades do nosso povo deixem de ser apenas discursos de campanha?

Foi por isso que decidi parar de esperar. Foi por isso que escolhi essa luta.

Não quero ser político. Quero ser um cidadão que faz a diferença.

Hoje, ao fundar o Movimento Sul Livre, dou início a uma jornada política e social. Mas carrego comigo uma convicção pessoal: jamais quero me tornar aquilo que aprendi a questionar na política.

Não tenho a ambição de construir uma carreira política. Não sonho com cargos, mandatos ou privilégios.

Sou um cidadão sulista.

Sou alguém que trabalha, que tem família, amigos, responsabilidades e preocupações com o amanhã. Alguém que conhece os desafios da vida cotidiana e que se indigna ao perceber que tantas pessoas continuam esperando por soluções que nunca chegam.

E estou indignado.

Indignado ao ver meu estado, meu povo, meus compatriotas, meus amigos e minha família constantemente à mercê de decisões tomadas por governantes que, muitas vezes, parecem distantes da realidade de quem deveriam representar.

Quando elegemos um deputado federal, esperamos que ele leve a voz do nosso estado até Brasília. Mas, não raramente, parece acontecer o contrário: ele passa a olhar mais para Brasília do que para o estado que o elegeu.

Quando elegemos um governador, esperamos alguém comprometido com os problemas do nosso estado. Entretanto, quantas vezes vemos governantes mais preocupados com a próxima eleição, ou que ainda ambicionam ser presidentes ou ser reeleitos.

E o povo?

O povo continua esperando.

Esperando nas longas filas dos hospitais.

Esperando por uma vaga na creche para poder trabalhar.

Esperando por uma educação de qualidade para seus filhos.

Esperando por segurança para voltar para casa sem medo.

Esperando que alguém se lembre das promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Enquanto isso, a vida continua. As crianças crescem, as famílias enfrentam dificuldades e oportunidades são perdidas.

E o tempo que o povo perde esperando não pode ser devolvido.

O Sul Livre nasceu da indignação, mas não viverá apenas dela.

A indignação pode ser o início de uma transformação, mas, sozinha, não constrói absolutamente nada.

Não quero que o Sul Livre seja apenas mais um movimento que reclama dos governos, critica políticos e aponta problemas que todos já conhecemos.

Quero que seja uma organização capaz de agir.

Que esteja presente quando uma família precisar de ajuda.

Que mobilize pessoas quando uma cidade for atingida por uma calamidade.

Que contribua para a defesa dos direitos de quem não consegue ser ouvido.

Que leve informação independente às pessoas e ajude a formar cidadãos conscientes de seus direitos e responsabilidades.

Que reúna pessoas dispostas a trabalhar por algo maior do que seus interesses individuais.

Porque acredito que não podemos continuar esperando que todas as soluções venham dos governos.

Se queremos um Sul melhor, precisamos assumir nossa parte na responsabilidade de construí-lo.

Para mim, ser livre é não viver com medo.

Quando falo em Sul Livre, não estou falando apenas de autonomia política, de fronteiras ou da possibilidade de um dia construirmos uma nação independente.

Estou falando de algo muito mais próximo da vida de cada pessoa.

Estou falando da liberdade de uma mãe saber que seu filho poderá estudar.

Da liberdade de um pai sair para trabalhar sabendo que sua família estará segura.

Da liberdade de um trabalhador ter oportunidades para prosperar.

Da liberdade de um cidadão procurar atendimento médico sem precisar implorar por aquilo que deveria ser um direito.

Da liberdade de expressar suas opiniões, discordar dos governantes e participar das decisões sobre seu próprio futuro.

Para mim, o Sul Livre é, antes de tudo, a liberdade de viver sem medo de ser esquecido.

Não acredito que essa liberdade será conquistada apenas com discursos ou com a substituição de um governante por outro.

Acredito que ela será construída por pessoas que compartilham princípios, que respeitam suas diferenças e que compreendem que o futuro de uma sociedade depende da participação de seu próprio povo.

Não quero trocar os donos do poder. Quero que o poder volte a servir ao povo.

Não me interessa construir um movimento para substituir uma elite política por outra.

Não quero que o Sul Livre se transforme em instrumento de ambições pessoais, disputas partidárias ou projetos individuais de poder.

Quero que possamos discutir, com liberdade e responsabilidade, o futuro dos nossos três estados.

Quero que o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul tenham suas necessidades respeitadas, suas identidades valorizadas e seus interesses efetivamente representados.

Quero que nossos governantes compreendam que ocupar um cargo público não significa receber um prêmio, mas assumir uma responsabilidade.

Que governar não é preparar a próxima campanha eleitoral.

Que representar o povo não é simplesmente falar em seu nome, mas ouvi-lo, respeitá-lo e trabalhar por ele.

E que o sucesso de um governo não deveria ser medido pela popularidade de seu governante, mas pelas condições de vida das pessoas que ele foi escolhido para servir.

Uma luta que vai além da direita e da esquerda.

Não espero que todos concordem comigo.

Sei que existem diferentes opiniões sobre política, economia, sociedade e sobre o próprio futuro do Sul.

E acredito que isso é saudável.

Não precisamos pensar da mesma maneira para reconhecer que nossas famílias merecem segurança, que nossas crianças merecem educação e que nossos cidadãos merecem dignidade.

Não precisamos pertencer ao mesmo partido para exigir responsabilidade dos governantes.

Não precisamos concordar sobre tudo para trabalhar juntos por aquilo que temos em comum.

É por isso que o Sul Livre não nasceu para ser um movimento de direita ou de esquerda.

Nasceu para ser um movimento do Sul e para o Sul.

Uma organização na qual diferentes vozes possam ser ouvidas e na qual a defesa dos interesses da nossa população esteja acima das disputas ideológicas.

A luta que escolhi não termina comigo.

Talvez eu não veja todas as mudanças que desejo.

Talvez algumas delas levem dez, vinte ou até cinquenta anos para acontecer.

Mas isso não diminui minha disposição de começar.

Porque não estou construindo o Sul Livre apenas para mim.

Estou pensando nos meus filhos, nas próximas gerações e nas famílias que ainda viverão nesta terra muito depois de nós.

Quero que, daqui a vinte anos, possamos olhar para trás e perceber que não ficamos parados esperando.

Que construímos uma organização séria, independente e comprometida com seu povo.

Que ajudamos pessoas.

Que defendemos direitos.

Que participamos das decisões.

Que fizemos a diferença, mesmo quando parecia mais fácil desistir.

E, acima de tudo, que tivemos coragem de começar.

Não sei até onde essa jornada nos levará. Não posso prometer que venceremos todos os desafios, nem que conseguiremos transformar todas as realidades que hoje nos indignam.

Mas posso afirmar por que decidi começar.

Porque estou cansado de esperar que alguém lute por aquilo que também é minha responsabilidade defender.

Porque amo esta terra, respeito sua história e acredito na força de seu povo.

Porque não quero que nossos filhos herdem apenas os mesmos problemas que recebemos, acompanhados das mesmas promessas de solução.

E porque acredito que o futuro não pertence exclusivamente aos governantes, aos partidos ou às instituições.

O futuro também pertence a cada cidadão que decide participar de sua construção.

O Sul Livre é a luta que escolhi porque é a terra onde vivo, o povo ao qual pertenço e o futuro que desejo ajudar a construir.

E, se um dia me perguntarem por que comecei tudo isso, minha resposta será simples:

Porque eu não quis mais esperar.


Samuel Schmah
Presidente do Movimento Sul Livre

“O Sul não é terra, é o seu povo. Trabalhador, honesto e aguerrido. Ser sulista é ser orgulhoso de onde nascemos e de onde escolhemos viver. É ser um povo forte.”

Sul Livre — Muitas vozes. Uma só visão.